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ROBERTINHO PERES

VALORES E PRINCÍPIOS PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL

"A carta da terra está concebida como uma declaração de princípios éticos fundamentais e como um roteiro prático de significado duradouro, amplamente compartido por todos os povos; De forma similar à Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, a carta da terra será utilizada como um código universal de conduta para guiar povos e nações na direção de um futuro sustentável".

"Garantir a sustentabilidade do turismo tornou-se o desafio principal daqueles que estão comprometidos com o desenvolvimento e o gerenciamento desse ramo de atividade; O Crescimento contínuo e a tendência à supervalorização têm acompanhado a consciência ambiental dos consumidores, que, cada vez mais, exigem destinos turísticos mais limpos, seguros e preocupados com o meio ambiente".

A carta da terra é um trabalho antigo e contínuo, muitas pessoas, órgãos e paises estão envolvidos em torno desta causa, que vem sendo trabalhado desde a ECO 92 e somente agora em 2004 que foi lançada oficialmente. Foram levantados dados e condições do mundo inteiro, fazendo assim um diagnóstico de como se encontra a nossa terra em visão econômica, política, social, cultural e ambiental, os resultados não foram os mais agradáveis, em cima destes resultados a Carta da terra hoje é vista como um guia de conduta, ou melhor, uma receita de vida, prognóstico do futuro.


O capitalismo hoje, rege o mundo, e impõe valores nada convencionais, tornando guias de conduta como a Carta da Terra em algo um pouco utópico, em uma visão macro, se torna quase inviável, em contrapartida surge um trunfo. O fenômeno do Turismo, que vem com uma nova tendência, mostrar o mundo para o mundo.
No dia a dia de cada um, muita coisa acontece, corre-se o dia todo, come-se mal, respira-se poluição, sente-se na pele a violência e ouvem-se gritos da desigualdade social, será que estas coisas ficam omitidas no ponto cego da vista?
O Turismo nesta parte é essencial e fundamental, tal fenômeno vai além e entra no seu pensamento dos quais originarão novos sentidos, é o melhor momento para se trabalhar com as pessoas, momento de deixar boas mensagens, mostrar atitude nas ações e realizar o "impraticável" antes em tamanho macro, agora micro, divididos em partes bem planejadas, organizadas e executadas.
Esta relação da Carta da Terra e Turismo é apenas sinergia, estão baseadas nos mesmos propósitos, intuitos, como outros movimentos de conservação da vida na Terra, independente da função que se exerce, têm em comum, o meio ambiente em que vivemos, e fazemos cada um sua parte para movimentar a grande maquina do capitalismo, somos todos parte de um todo.
O turismo é a melhor forma de evolução do homem moderno para gerenciar e amenizar as relações interpessoais dada em um ambiente das quais se atingem altos níveis de satisfação em ações sócio-ambientais, sócio-culturais, étnicas, políticas e econômicas, com melhor equidade, distribuição dos lucros e melhor uso dos recursos naturais, hoje quase escassos.



Texto elaborado por: Roberto R. Peres robertinhoperes@sununga.com.br

OUTUBRO DE 2007





500 ANOS DO RECÉM DESCOBERTO PARAÍSO PERDIDO

O litoral Norte de São Paulo tem grande importância na historia do Brasil, fazendo parte dos roteiros da catequização, colonização e também como ponto de escoamento de mercadorias com destino a Europa.
Por aqui se encontravam, comunidades Indígenas, Afro-negros provenientes da África e os recém chegados lusitanos; A partir deste momento começa a surgir à relação das matrizes com a configuração do Litoral Norte, o tempo passa e nascem os filhos desta miscigenação com influências étnicas fortes, dando a este cenário colonial uma nova interface cultural, Lusa/Afro/Tupi, surgindo um povo novo, que vive a beira mar, denominado Caiçara; Mas o que é o Caiçara?
Até então não era nada, e nem se parecia com ninguém, assim como os caipiras e sertanejos no Brasil acima.
500 anos depois, estamos inseridos neste cenário com as mesmas comunidades indígenas, remanescentes negros (quilombos), e o tal Caiçara, da etnia indígena e negra, muita coisa se perdeu e pouca coisa restou, dos caiçaras também, porém com uma pequena diferença positiva, Lusitanos, Negros e Tupis se entranharam no litoral do qual vive o caiçara, então em todo caiçara há um lusitano, um negro, um índio com suas heranças.
Revolução industrial, marco na historia contemporânea, produtos em massa, automatização, construções de estradas, pontes, túneis, portos, caminhos para o capitalismo se adentrar, se fosse só isso, mas ainda tem a supervalorização e especulação imobiliária desordenada, em um litoral rico em culturas e recortado, cheio de praias, baias, enseadas, penínsulas, mangues banhados pelo oceano atlântico, protegidos pela serra do mar e habitado por comunidades que se integram a natureza, hoje comunidades assim se tornam cada vez mais escassas.
O litoral norte hoje vive a constante busca do auto reconhecimento, perante olhos distantes, impondo na base de formação de seus habitantes a inversão de valores, propostos ou impostos pela corrida sem fim ao capitalismo selvagem, esquece-se o viver e só resta como opção o sobreviver em um litoral individualista, dificultando a troca de conhecimentos dentro destas cidades e suas respectivas comunidades.
Isto foi e ainda é sinônimo de genocídio e etnocídio.
Uma vez li em um livro documentário simples, sem a repercussão devida sobre o tema algo assim:

"Se nada for feito para deter a voracidade dos invasores, se não houver ouvidos que ouçam olhos que vejam e houver a vontade de decidir a favor da pessoa humana, restara o registro de que um dia, numa região de praias, florestas e montanhas, existiu um povo caiçara, companheiro da terra, do mar, simples, ingênuo e feliz".



Texto elaborado por: Roberto R. Peres robertinhoperes@sununga.com.br

OUTUBRO DE 2007